sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Gênio Indomável - Crítica

Kelly Ribeiro 
Ligia Helena

Tratamento de Hunting
O roteiro de "Good Will Hunting" apresenta uma série de personagens que, embora sejam bem arquétipos, proporcionam uma coleção interessante de objetos de observação, especialmente o protagonista da história, Will Hunting, interpretado por Matt Damon.
Will Hunting teve uma infância difícil, passada em diversos lares adotivos onde foi continuamente mal tratado. Isso o tornou ressentido e contraditório: ele tem dificuldades em confiar nas pessoas ao mesmo tempo em que anseia desenvolver laços profundos.
Aos vinte anos, Will é um jovem com tendências marginais que tem constantes problemas com a polícia por agressão e furto, além de ser subempregado. O que o diferencia de tantos outros
rapazes da periferia de Boston, onde a história se passa, é seu extraordinário talento e aptidão para matemática.
Descoberto por Gerald Lambeau, professor da MIT, a mais renomada universidade de tecnologia do mundo, Hunting passa por diversos terapeutas e psicólogos para lidar com sua agressividade e destemperança, põem nenhum tratamento surte efeito, até que Lambeau recorre a um antigo amigo de faculdade, Sean Maguire (Robin Williams).
Sem tentar categorizá-lo ou forçá-lo a algum padrão sociológico pré-estabelecido, Maguire conquista a empatia de Will e consegue penetrar aos poucos em suas defesas, lhe mostrando seus erros de maneira longe de ser probatória ou peremptória, numa possível aplicação do behaviorismo de Skinner, o qual almeja entender o comportamento das pessoas através da análise de seu background, sem julgamentos. Outro ponto importante é que Maguire se esmera em compreender e ajudar Hunting sem tentar manipular suas vontades, outro preceito de Skinner.
Obviamente, devemos ter em mente que não se levar a sério este tipo de análise, pois Sean
Maguire e Will Hunting são meros frutos da imaginação de Ben Aflleck e Matt Damon, os roteiristas
da história, não servindo, portanto, como comparativos adequados para um estudo de caso real.
O filme trabalha muito com a relação professor aluno e a diferença entre sabedoria e conhecimento.

A relação entre Will  e Sean, apesar de não ser,  é uma relação  muito parecida com a de um mestre e seu aluno. E, principalmente, é uma relação boa e íntima. Mas, Sean só consegue chegar a esse tipo de relação porque ele não tenta mudar seu paciente. Ele tenta entendê-lo. Vê-lo como um garoto, emocionalmente falando, alguém que teme a opinião alheia e que se esconde atrás dos livros para não se mostrar. A partir daí ele consegue quebrar o muro criado por Will. E é a partir daí que vem a discussão de como devemos lidar com o processo de aprendizagem. Como lidar com um aluno que não quer aprender? Segundo a premissa proposta pelo filme, devemos entender primeiro quem é essa pessoa para depois tentá-la ajudá-la.

Outro ponto que é abordado pelo filme é o fato de que Will não conhece o mundo. Que apesar de ser um gênio ele é um ignorante no que diz  respeito à vida. Pois, apesar de conhecer sobre vários assuntos pelos livros, tal como a arte e o amor, ele não nunca sentiu o prazer da arte nem do amor. Ou seja, ele era um gênio tolo com muito conhecimento e nenhuma sabedoria.
Mercadologicamente, o filme é uma surpresa, já que teve um  orçamento relativamente baixo e, em contra partida, teve um lucro gigantesco, 22 vezes o valor que custou para ser feito. O filme ficou entre os filmes mais assistidos da época e ainda teve uma critica muito favorável. Além de uma boa repercussão internacional. Mas o que surpreende a maioria até hoje é que o roteiro foi escrito por Ben Affleck e Matt Damon. Um fator que contribui para o sucesso, além do roteiro premiado, foi à presença de um ator de peso como Robin Williams que foi o que fez com que a produtora aceitasse produzir o filme.

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